O Instituidor

Oscar Luso

Era o início do século XIX e Oscar Luso, um cientista português de espírito inquieto e profundo amor pelo mar, dedicava a vida ao estudo das correntes oceânicas, dos mitos náuticos e da identidade cultural do seu país. Era também amigo íntimo de D. Carlos, príncipe herdeiro de Portugal e, mais tarde, rei — um monarca cujo fascínio pela ciência e pela oceanografia o tornaria figura central na modernização do pensamento português.

Oscar e D. Carlos partilhavam horas intermináveis em conversas sobre astronomia, navegação e história natural. Em expedições que misturavam aventura e investigação científica, percorriam costas, recolhiam amostras e desenhavam mapas numa tentativa quase romântica de decifrar o grande enigma do oceano.

Foi numa dessas viagens que conheceram Júlio Verne, então um escritor francês em busca de inspiração para as suas novas obras. A afinidade foi imediata: Verne reconheceu em Oscar e em D. Carlos não apenas interlocutores apaixonados, mas espíritos capazes de compreender a dimensão épica da ciência e do mar. Daquele encontro improvável nasceu uma amizade sólida, alimentada por debates sobre o futuro da exploração marítima e o papel da literatura científica no imaginário moderno.

A harmonia daquele tempo, porém, seria brutalmente interrompida pelo assassinato de D. Carlos. A Europa estremeceu; Portugal mergulhou em luto profundo. Oscar Luso, devastado pela perda do amigo e mentor, decidiu que a memória do rei — e a visão cultural que partilharam — não podia desaparecer.

Assim nasceu o Prémio Oscar Luso, criado como tributo à coragem intelectual de D. Carlos e ao compromisso com a promoção da cultura portuguesa e lusófona. O objetivo era claro: distinguir anualmente escritores cuja obra contribuísse para elevar o património literário e a identidade do mundo de língua portuguesa.

Júlio Verne, tocado pela amizade que o unira à dupla portuguesa e já convertido em fervoroso defensor da literatura lusófona, aceitou ser o primeiro presidente do júri. A cerimónia inaugural, realizada num ambiente de profunda emoção e esperança, tornou-se um marco histórico. O Prémio Oscar Luso rapidamente ganhou prestígio internacional, sendo hoje reconhecido como um dos mais importantes galardões literários do mundo.

E assim, a amizade entre um rei visionário, um cientista apaixonado e um escritor que sonhava com mundos impossíveis transformou-se num legado que perdurou muito para além das suas vidas — um hino à literatura, à ciência e ao mar que molda a alma portuguesa.

Oscar Luso, o fundador

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